sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Amamentação e Volta ao Trabalho- legislação



Essa questão do retorno ao trabalho e os direitos da mãe que amamenta, é algo que já preocupa antes mesmo do  filho nascer... Apesar de existirem campanhas que estimulem a amamentação, retornar ao trabalho com nosso bebê estando somente com 4 meses, é triste demais!
Geralmente os primeiros 2 meses, são de um eterno e importante acerto/aprendizado entre mãe e bebê . A mãe passa a relaxar mais, a entender os sinais do seu bebê depois desse tempo  e, de repente, tem que voltar ao trabalho... Aos 3 meses muitos pediatras já prescrevem papinhas e introdução de leite artificial e se esquecem (ou não se importam?) daquelas mães que amamentam e que gostariam de continuar amamentando..muitas mães inclusive , são desestimuladas a seguirem amamentando ( "ah,depois que o bebê comer outras coisas, o leite vai secar e nem será mais importante..) " ou  são desestimuladas a armazenar leite materno, porque o que mais ouvem, é que não conseguirão dar conta de tanta produção, são muitas mamadas!
Bom, eu posso dizer, por experiência pessoal , que amamentar e voltar ao trabalho, são plenamente compatíveis . Consegui amamentar exclusivamente meus 2 filhos até o 6o mes e eu só precisei  manter uma frequência de  ordenhas para estocar leite materno.
Como eu fiz?
Cedi a tentação do uso da bomba elétrica, porque, ficava muito nervosa, fazendo a ordenha manual  e acabava por não conseguir um bom volume de leite;
Quinze dias antes do meu retorno, passei a me ordenhar antes de cada mamada e após cada mamada (nos finais de semana, inclusive!) e estocava o leite materno no congelador.
Após o meu retorno, mantive a frequência de ordenhas inclusive no trabalho e já que não amamentava no trabalho, utilizei os 2 períodos que o artigo 396 (CLT), prevê. Houveram algumas situações em que pude negociar utilizando esse 2 períodos,chegando 1 hora mais tarde no trabalho, ou saindo 1 hora mais cedo, mas isso nem sempre dava certo,então preferi utilizar os 2 intervalos que a lei me proporcionava para amamentar, me ordenhando. Estocava meu leite na geladeira do trabalho e no final do expediente, armazenava os potes em bolsa térmica e ia direto para  a creche das crianças.
Apesar da correria e das ordenhas e da "falação" de tanta gente , amenizava ( e muito!) o meu coração, saber que meus filhos estavam se alimentando com o meu leite que continha não somente a nutrição ideal, mas todo o meu afeto !
Muitas perguntas são feitas sobre os direitos da mãe que amamenta então , resolvi postar um pouco sobre o que a  legislação brasileira oferece á família!

DIREITOS DA MULHER TRABALHORA


 Licença maternidade:
 O artigo 7º, inciso XVII da Constituição, garante a licença à gestante sem prejuízo do emprego e do salário, com duração de 120 dias, tanto para a trabalhadora rural como para a urbana.
O artigo 10º das Disposições Transitórias veda a dispensa sem justa causa da empregada gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
Esses benefícios podem ser estendidos em convenções coletivas (acordado entre sindicatos de empresa e empregados) ou ainda de acordo com os estatutos da administração direta ou indireta.

A lei nº 11.770, de 2008, ampliou a licença maternidade para seis meses, de forma facultativa, tanto para as trabalhadoras da esfera privada quanto para as da esfera pública.

O artigo 392 da CLT em seu parágrafo 2º prevê:
“Em casos excepcionais, os períodos antes e depois do parto poderão ser aumentados de mais 2 (duas) semanas cada um, mediante atestado médico na forma do Art.375, o qual deverá ser visado pela empresa. (…)
Parágrafo 3º: Em caso de parto antecipado, a mulher terá sempre direito às 12 (doze) semanas previstas neste artigo.

Amamentação e Volta ao Trabalho
 O art. 396 da CLT prevê:
“Para amamentar o próprio filho, até que este complete 6 (seis) meses de idade, a mulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a 2 (dois) descansos especiais, de meia hora cada um, que não se confundirão com os intervalos normais para seu repouso e alimentação.
Parágrafo Único: “Quando o exigir a saúde do filho, o período de 6 (seis) meses poderá ser dilatado, a critério de autoridade competente.”

Amamentação e Adoção

Em relação a licença maternidade  para mães adotivas ou às mulheres que detêm a guarda judicial de crianças com até um ano de idade é de 120 dias .

 Licença Paternidade
 Os pais têm direito a 5 (cinco) dias corridos de licença, a contar do dia do nascimento do filho.


É BOM SABER.....

Ampliação da Licença Maternidade e  Empresa Cidadã

A pessoa jurídica poderá aderir ao Programa Empresa Cidadã mediante Requerimento de Adesão formulado em nome do estabelecimento matriz, pelo responsável perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a partir de 25/01/2010, conforme regras estabelecidas na IN RFB nº 991/2010.
O Requerimento de Adesão deverá ser formulado exclusivamente no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, a partir de 25 de janeiro de 2010.  O acesso ao endereço eletrônico dar-se-á por meio de código de acesso, a ser obtido no sítio da RFB, ou mediante certificado digital válido.
Será beneficiada pelo Programa Empresa Cidadã, instituído pelo Decreto nº 7.052, de 23 de dezembro de 2009, a empregada da pessoa jurídica que aderir ao Programa, desde que a empregada requeira a prorrogação do salário-maternidade até o final do primeiro mês após o parto. A solicitação da empregada é feita junto à empresa, de acordo com as regras do Decreto nº 7.052/2009.
               
AMPLIAÇÃO DA LICENÇA MATERNIDADE NO BRASIL

Art. 1o É instituído o Programa Empresa Cidadã, destinado a prorrogar por 60 (sessenta) dias a duração da licença-maternidade prevista no inciso XVIII do caput do art. 7o da Constituição Federal.
§ 1o A prorrogação será garantida à empregada da pessoa jurídica que aderir ao Programa, desde que a empregada a requeira até o final do primeiro mês após o parto, e concedida imediatamente após a fruição da licença-maternidade de que trata o inciso XVIII do caput do art. 7º da Constituição Federal.
  2o A prorrogação será garantida, na mesma proporção, também à empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança.
Art. 2o É a administração pública, direta, indireta e fundacional, autorizada a instituir programa que garanta prorrogação da licença-maternidade para suas servidoras, nos termos do que prevê o art. 1o desta Lei.
Art. 3o Durante o período de prorrogação da licença-maternidade, a empregada terá direito à sua remuneração integral, nos mesmos moldes devidos no período de percepção do salário-maternidade pago pelo regime geral de previdência social.
Art. 4o No período de prorrogação da licença-maternidade de que trata esta Lei, a empregada não poderá exercer qualquer atividade remunerada e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar.
Parágrafo único. Em caso de descumprimento do disposto no caput deste artigo, a empregada perderá o direito à prorrogação.
Art. 5o A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá deduzir do imposto devido, em cada período de apuração, o total da remuneração integral da empregada pago nos 60 (sessenta) dias de prorrogação de sua licença-maternidade, vedada a dedução como despesa operacional.
Art. 7o O Poder Executivo, com vistas no cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 5o e nos arts. 12 e 14 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, estimará o montante da renúncia fiscal decorrente do disposto nesta Lei e o incluirá no demonstrativo a que se refere o § 6º do art. 165 da Constituição Federal, que acompanhará o projeto de lei orçamentária cuja apresentação se der após decorridos 60 (sessenta) dias da publicação desta Lei.
Art. 8o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que for implementado o disposto no seu art. 7o.


























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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pílula e Amamentação

Assunto pra lá de importante: anti concepção



Embora muitas mães não acreditem , a amamentação também é um método anticoncepcional e pode evitar uma nova gestação,objetivando um planejamento familiar.
É o que chamamos de Método da Amenorréia Lactacional ou LAM.
A sucção do bebê no peito, faz com que ocorra a suspensão da ovulação e como consequência disso,  a amenorréia e essa ausência da menstruação, é um dos critérios para que o método seja eficaz!
Como se beneficiar deste método? Existem algumas condições:
 A mãe precisa :
*Amamentar exclusivamente ( com freqüência, sem horários rígidos, em livre demanda, sem oferecimento de água ,chás ou leites artificiais...) ;
*Não estar menstruando
O bebê precisa:
*Ter menos de 6 meses de idade.

Caso uma dessas condições nao ocorra, então é recomendado o uso de outro método anticoncepcional ,sem interferências na amamentação, como por exemplo, métodos não hormonais – DIU, camisinha, vasectomia, diafragma., mini-pílulas.
As pílulas combinadas-compostas por dois hormônios, em geral, NÃO podem ser utilizadas na amamentação , mas as pílulas somente de progesterona podem ser usadas.
Se a mãe escolher  o LAM ,precisa  ser acompanhada por um profissional de saúde que transmita confiança, que acredite no método e que a escute com interesse e preocupação. É preciso que a nutriz tenha acesso fácil a este profissional, se sinta à vontade para fazer perguntas, tirar suas dúvidas e encontrar nele um bom apoiador da amamentação.

• Na amamentação NUNCA use medicamentos sem autorização do seu médico.





Referências:
site : Aleitamento.com
livros:"Manejo Clínico da Lactação”  Ed. Revinter, 1996.
          "Amamentação – Bases Científicas” Ed. GEN, Rio de Janeiro, 2005.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Continuar amamentando após 2 anos ou mais ou Desmamar?



"O homem é o único mamífero em que o desmame (aqui definido como a cessação do aleitamento materno) não é primariamente determinado por fatores genéticos e instinto, sendo fortemente influenciado por fatores socioculturais. Hoje, ao contrário do que ocorreu por pelo menos dois milhões de anos, ao longo da evolução da espécie humana, a mulher opta (ou não) pela amamentação e, influenciada por múltiplos fatores, decide por quanto tempo vai (ou pode) amamentar. Muitas vezes, as preferências culturais (não amamentação, introdução precoce de outros alimentos na dieta da criança, amamentação de curta duração) entram em conflito com a expectativa da espécie. Algumas conseqüências dessa divergência já puderam ser observadas, como desnutrição e alta mortalidade infantis, sobretudo em áreas menos desenvolvidas. Porém, as conseqüências a longo prazo ainda não são totalmente conhecidas, já que transformações genéticas não ocorrem com a rapidez com que podem ocorrer mudanças de hábitos. Começam a ser mostradas evidências de que o não amamentar segundo as expectativas da espécie pode ter repercussões negativas ao longo da vida dos indivíduos. Assim, a não amamentação ou amamentação sub-ótima pode favorecer o aparecimento de doenças alérgicas, diversas doenças do sistema imunológico, alguns tipos de cânceres, obesidade, diabete e doenças cardiovasculares, além de interferir negativamente no desenvolvimento oro-facial. Provavelmente, com o aparecimento de novas pesquisas nessa área, outros males serão relacionados com os hábitos “modernos” de alimentação infantil, mas alguns aspectos dificilmente podem ser quantificados, especialmente os relacionados com a psique humana.
Atualmente, em especial nas sociedades ocidentais, a amamentação é vista primordialmente como uma forma de alimentar a criança, sob o controle total dos adultos. Assim, perdeu-se a percepção da amamentação como um processo mais amplo, complexo, envolvendo intimamente duas pessoas e com repercussão na saúde física e no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, além de repercussões para a saúde física e psíquica da mãe. Hoje, em muitas culturas “modernas”, a amamentação prolongada (cujo conceito varia de acordo com a “convenção” da época e do local) freqüentemente é vista como um distúrbio inter-relacional entre mãe e bebê. Perdeu-se a noção de que o desmame não é um evento e sim um processo, que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança, assim como sentar, andar, correr, falar. Nesta lógica, assim como nenhuma criança começa a andar antes de estar pronta, nenhuma criança deveria ser desmamada antes de atingir a maturidade para tal. Em harmonia com esta linha de pensamento, Dr. William Sears, um antigo pediatra, recomendava “Não limite a duração da amamentação a um período pré-determinado. Siga os sinais do bebê. A vida é uma série de desmames, do útero, do seio, de casa para a escola, da escola para o trabalho. Quando uma criança é forçada a entrar em um estágio antes de estar pronta, corre o risco de afetar o seu desenvolvimento emocional”. Essas palavras sábias podem ter pouco respaldo em sociedades individualistas, que tendem a acelerar o processo de independização do ser humano, substituindo o seio por métodos de auto-consolo como chupetas, paninhos, mantinhas, ursinhos, etc.
Segundo diversas teorias, o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a sete anos. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. Apesar dessa recomendação, muito poucas mulheres no Brasil amamentam por mais de dois anos. As razões para a não amamentação prolongada variam desde dificuldade em conciliar a amamentação com outras atividades, até crença de que aleitamento materno além do primeiro ano é danoso para a criança sob o ponto de vista psicológico. Uma parcela de mães, apesar de demonstrar desejo em continuar a amamentação, sente-se pressionada a desmamar por profissionais de saúde, seus maridos, parentes, vizinhos e amigos. Pois, para a manutenção do paradigma que sustenta a afirmação de que amamentação prolongada não é natural, foi necessário criar vários mitos tais como o de que uma criança jamais desmama por si própria, que a amamentação prolongada é um sinal de problema sexual ou necessidade materna e não da criança e que a criança que mama fica muito dependente. Algumas mães, de fato, desmamam para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança. Além disso, o desmame forçado pode gerar insegurança na criança, o que dificulta o processo de independização.
O desmame pode ser agrupado em quatro categorias básicas: abrupto, planejado ou gradual, parcial e natural. Sob a ótica de que o desmame é um processo de desenvolvimento da criança, parece razoável afirmar que o ideal seria que ele ocorresse naturalmente, na medida em que a criança vai adquirindo competências para tal. No desmame natural a criança se auto-desmama, o que pode ocorrer em diferentes idades, em média entre dois e quatro anos e raramente antes de um ano. Costuma ser gradual, mas às vezes pode ser súbito, como por exemplo em uma nova gravidez da mãe (a criança pode estranhar o gosto do leite, que se altera, e o volume, que diminui). A mãe também participa ativamente no processo, sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade.
 O Quadro 1 apresenta os sinais indicativos de que criança pode estar pronta para iniciar o desmame:
Quadro 1. Sinais sugestivos de que a criança está madura para o desmame
• Idade maior que um ano  • Menos interesse nas mamadas  • Aceita variedade de outros alimentos
• É segura na sua relação com a mãe  • Aceita outras formas de consolo  • Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais  • Às vezes dorme sem mamar no peito  • Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar   • Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe ao invés de mamar
É importante que a mãe não confunda o auto-desmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê. Esta ocorre principalmente em crianças menores de um ano, é de início súbito e inesperado, a criança parece insatisfeita e em geral é possível identificar uma causa: doença, dentição, diminuição do volume ou sabor do leite, estresse e excesso de mamadeira ou chupeta. Essa condição usualmente não dura mais que 2-4 dias.

Algumas vantagens do desmame natural encontram-se no Quadro 2:
Quadro 2. Vantagens do desmame natural
• Transição tranqüila, menos estressante para a mãe e a criança
• Preenche as necessidades da criança até elas estarem maduras para o desmame
• Fortalece a relação mãe-filho
• Ajuda a mãe a ser menos ansiosa com relação aos estágios de desenvolvimento de seu filho

O desmame abrupto é desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia. Na mãe, o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais.

Muitas vezes a mulher se depara com a situação de querer ou ter que desmamar antes de a criança estar pronta. Nesses casos, o profissional de saúde, em especial o pediatra, deve respeitar o desejo da mãe e ajudá-la nesse processo.
 O quadro 3 apresenta os fatores que facilitam o encorajamento do bebê para o desmame.
Quadro 3. Encorajando o bebê a desmamar: facilitadores
• Mãe segura de que quer (ou deve) desmamar
• Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia, tanto maior quanto menos pronta estiver a criança
• Flexibilidade, pois o curso é imprevisível
• Paciência (dar tempo à criança) e compreensão
• Suporte e atenção adicionais à criança – mãe não deve se afastar neste período
• Ausência de outras mudanças ocorrendo: Ex.: controle dos esficteres
• Sempre que possível, desmame gradual, retirando uma mamada do dia a cada 1-2 semanas.

A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade da mesma. Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data, oferecer uma recompensa e até mesmo uma festa. A mãe pode começar não oferecendo o seio, mas também não recusando. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las. Mamadas podem ser suprimidas distraindo a criança com brincadeiras, chamando amiguinhos, entretendo a criança com algo que lhe prenda a atenção. A participação do pai no processo, sempre que possível, é importante. A mãe pode também evitar certas atitudes que estimulam a criança a mamar, por exemplo, não sentar na poltrona em que costuma amamentar.

Algumas vezes, o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê, que é preferível adiar um pouco mais o processo, se possível. A mãe pode, também, optar por restringir as mamadas a certos horários e locais.
As mulheres devem estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, tais como: mudança de tamanho das mamas, mudança de peso e sentimentos diversos tais como alívio, paz, tristeza, depressão, culpa e arrependimento.

Já se avançou muito na valorização do aleitamento materno nos últimos tempos. A recomendação da duração da amamentação passou de 10 meses na década de 30 para dois anos ou mais nos dias de hoje. Atualmente, fala-se em desmame natural como a forma ideal de desmame, sem especificar uma idade mínima ou máxima para que esse processo ocorra. Apesar desse avanço ainda estamos longe de encararmos o desmame como um marco do desenvolvimento da criança. Para chegarmos a este estágio, faz-se necessário entender e enfrentar as circunstâncias que, segundo Souza e Almeida, “ultrapassam a natureza e desafiam a cultura e a sociedade”.

Elsa Regina Justo Giugliani 
(Pediatra, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP, Especialista em Aleitamento Materno pelo IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners)

fonte: SBP- http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=21&id_detalhe=1845&tipo_detalhe=s








MADRINHA DA SEMANA MUNDIAL DE ALEITAMENTO MATERNO 2011

 


                                            Juliana Paes, madrinha da SMAM no Brasil

“Amamentar faz bem para o bebê e para você. Informe-se, prepare-se, torne essa experiência completa”. Esse é o recado da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e do Ministério da Saúde (MS) para as mães na 20ª Semana Mundial da Amamentação (SMAM), a ser comemorada de 1 a 7 de agosto, com a participação de Juliana Paes como madrinha, e de seu filho Pedro.




A campanha desse ano será lançada em evento no dia 01 de agosto, às 9h, nos jardins do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. A partir daí, milhares de cartazes e folhetos serão distribuídos pelas Sociedades de Pediatria dos estados e do Distrito Federal, pelas Secretarias estaduais e municipais de Saúde, por inúmeras ONGs e instituições diversas. Também foram produzidos um filme para a televisão, outro para internet e um spot para rádio, que serão disponibilizados para as emissoras que quiserem participar, veiculando gratuitamente a mensagem: “Seja um amigo do peito. Informe-se e apóie a mãe que amamenta”.


A SMAM é uma estratégia idealizada pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (Waba) com objetivo de divulgar as vantagens da amamentação e ocorre em cerca de 150 países. Esse ano, a ideia é chamar a atenção para a importância do apoio à mulher, para que a amamentação seja vivida em todas as dimensões – física, psicológica e também cultural e social, tornando a experiência completa. A amamentação faz bem para a saúde do bebê, que recebe proteção contra diarreia, infecções, alergias, colesterol alto, diabetes e obesidade. Traz vantagens também para a mãe, diminuindo o sangramento pós-parto e as chances de que tenha anemia, câncer de mama e de ovário, diabetes e infarto cardíaco. Além disso, dr. Eduardo Vaz, presidente da SBP, lembra que é também “o melhor começo para a criação de um forte vínculo afetivo entre mãe e filho, que será a base dos cuidados da família com a criança”.

Dra. Rachel Niskier, coordenadora de campanhas da Sociedade, salienta que o apoio do pai da criança, assim como dos demais membros da família pode vir, por exemplo, “quando assumem as tarefas domésticas, liberando a mulher para amamentar”. Os “chefes”, sejam eles empresários ou gestores do sistema público, “podem fazer com que a instituição garanta seis meses de licença-maternidade e ainda, Salas de Apoio à Amamentação para a volta ao trabalho”.

Comunicação e mitos – Presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP, dr. Luciano Borges Santiago, ressalta também a importância da moderna comunicação, com a internet, os blogs, e considera que “o balanço da divulgação é positivo e a maioria das mulheres têm intenção de amamentar. Por isso mesmo, quando começam as dúvidas, a ansiedade, os medos, é fundamental que as mães recebam apoio e informações corretas: “Muitas ainda pensam que seu leite é fraco. Mas, na verdade, os bebês costumam perder peso nos primeiros dias porque, entre outros fatores, estão aprendendo a mamar corretamente e desinchando. Algumas estranham também a mudança de cor, do colostro, mais amarelado, para o leite branco, que muitas pensam ser ralo. Além disso, há toda uma adaptação do bebê à vida fora do corpo da mãe. É exercitando a musculatura orofacial, por exemplo, que vai melhorando a pega, ou a maneira de abocanhar o seio. É importante que a mãe evite, por exemplo, oferecer outro alimento e mamadeira, que podem fazer com que o bebê não tenha fome suficiente para mamar – e é exatamente a sucção que induz a produção de mais leite –, e sofra com a confusão de bicos”.

A recomendação da Sociedade, do MS e da OMS é que as crianças sejam amamentadas até dois anos ou mais com a adição de outros alimentos saudáveis e que nos primeiros seis meses recebam apenas o leite materno, sem necessidade de água, chás ou sucos.
Juliana Paes e Pedro

Pedro nasceu em dezembro e Juliana Paes acaba de retornar ao trabalho, depois de seis meses de licença-maternidade. Sua intenção é continuar amamentando até os dois anos. Veja, a seguir, seu depoimento:

“Sempre quis muito amamentar. Quando você está grávida, todo mundo fica com vontade de te contar uma história. Às vezes são histórias bacanas e em outras não. Tenho amigas que tiveram dificuldades. Pensei que comigo não seria assim. Quando fiquei grávida, assisti palestras, me cerquei de muita informação. Fui vendo a amplitude do aleitamento materno. Aprendi a importância da pega do bebê, ou seja, o jeito como o bebê, desde o primeiro momento, iria pegar o mamilo. Porque muitos sangramentos, rachaduras são devidos isso. Bebê aprende muito rápido e ele deveria mamar com a boquinha bem abertinha, a barriguinha voltada para mim.
Então você dá a luz, mas a ficha não cai no momento. De repente, vem a enfermeira com o menininho e diz “Toma. É seu.”. Bom, agora vamos botar em prática tudo o que se aprendeu. Então eu tirei tomo mundo do quarto. Até minha mãe, sou a mais velha de quatro irmãos. Mas eu queria ter a minha experiência. Aí fiz tudo direitinho. No início, colocava o meu dedo para abrir mais os lábios dele. Quando a enfermeira chegou para me dar as instruções, já falou “ué, já mamou?! Não teve problema, não doeu?”. Eu disse que não. Pedro mamou bastante e não tive qualquer problema. E isso só aumenta minha vontade fazer essa campanha. Quanto mais as pessoas se informarem e ficarem com vontade de amamentar, melhor será. É tão bom amamentar, quando seu filho fica satisfeito, olha para você e dá aquele suspiro, aquele sorriso, você se sente a mulher mais poderosa do mundo!”


FONTE: SBP NOTÍCIAS- 29 de julho de 2011
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

PERSONAL PEITO  
X  
 CONSULTORA EM AMAMENTAÇÃO

 Na 6a feira, dia 15 de julho, me deparei com uma médica que trazia ás mãos, um pequeno recorte de
 jornal com o seguinte texto:



O mais interessante, foi ver a reação da equipe médica diante de tal nota! Uma perplexidade, se assim posso dizer! Depois de todos os tipos de comentários sobre o "novo profissional", comentei que há 12 anos sou Consultora em Amamentação. Fez-se um  pequeno silêncio, que foi quebrado com o seguinte comentário: "Vamos abrir uma empresa de Personal Peito, pessoal? Vamos ganhar muito dinheiro!!"
A nota e os comentários, o nome dado ao profissional, me provocou um profundo mal estar, mas mais ainda, a forma como a noticia foi veiculada(senti um ar de  deboche.).
Personal pra mim, soa como aquele profissional que faz qualquer coisa que a pessoa não tem tempo de fazer.
Bom, se uma mãe solicita a presença de um profissional que trabalhe e entenda  sobre amamentação e se ela  não sabe( ou  muitas vezes, não quer ir) ,que gratuitamente existem bancos de leite humano, postos de saúde e maternidades disponiveis a atende-las,  ajudando-as a vencer as dificuldades na amamentação,
porque não, um Consultor para auxiliá-la?
Sempre que uma mãe ou familia me solicita atendimentos,  comento primeiramente sobre os Bancos de Leite Humano,  sobre os postos de sáude e também sobre Grupo de mães que atendem de forma voluntária e gratuita.  Aqui no Rio,por exemplo: Amigas do Peito( http://www.amigasdopeito.org.br/   e La Leche League, em  São Paulo -Matrice ( matrice.wordpress.com) , entre outros.
Quando a mãe solicita o atendimento, mesmo depois de ter recebido por mim outras opções(gratuitas!!!!) , me organizo com horário e dia ( pois tenho filhos e trabalhos), e me sinto , sim, com minha consciencia tranquila em acompanhar essa mãe e a cobrar por esse atendimento, porque estou dando um atendimento profissional ,com.atenção individualizada, na hora e no local que a mãe solicita.
Pesquisando sobre a matéria, me deparei com um comentário da psicóloga Bianca Balassiano que traduz o que penso:

"Caro colunista Joaquim Ferreira dos Santos,
A respeito da sua nota “Nova profissão” no Segundo Caderno de O Globo de hoje, 14 de julho de 2011, cabe informar que:
Apesar da tarefa de amamentar filhos existir há milênios, como colocado por você, não se trata de um sabedoria inata ao ser humano. As mulheres possuem o “equipamento” necessário e os bebês tem a capacidade de sugar, mas amamentar, como tantas coisas na vida desta dupla, é a resposta a um aprendizado que ocorre após o nascimento. Com o advento das fórmulas artificiais e o marketing agressivo da indústria alimentícia e farmacêutica, tivemos nada menos do que duas gerações de mulheres que criaram seus filhos sem a cultura da amamentação e, portanto, hoje sofremos as consequências. Jovens mães que pouco tiveram contato com a simples visão de um bebê sendo amamentado, tem dificuldades em exercer uma função que um dia foi considerada natural. Além disso, a grande proporção que tomaram as cirurgias de reconstrução mamária, bem como as cesáreas eletivas, trouxeram à tona um grande grupo de mulheres mais sucetíveis às dificuldades naturais dos primeiros dias de amamentação.

No Brasil, somos especificamente privilegiados pois contamos com uma rede de mais de 200 Bancos de leite Humano espalhados pelo país que, além de oferecer serviços às comunidades carentes, também oferecem – GRATUITAMENTE – orientação sobre amamentação à qualquer mulher que ali se dirige em busca do serviço, sem a necessidade de marcação de consulta prévia.
Ocorre que, existem famílias com maiores possibilidades financeiras que preferem receber este serviço no conforto de sua residência, nada mais justo levando-se em conta de que esta mulher muitas vezes acabou de passar por uma cirurgia de alto porte e tem em mãos um recém-nascido. Para isto, surgiu o serviço de atendimento à amamentação em domicílio, ironicamente chamado em sua nota de “Personal Peito”. Somos psicólogas, enfermeiras, fonoaudiólogas e pediatras que investimos nosso tempo e dinheiro em uma formação específica de manejo clínico de amamentação que pudesse trazer um suporte individual a um sofrimento tão comum e pouco falado na mídia: os problemas de início e manutenção da amamentação.
As campanhas do Ministério da Saúde apoiando a amamentação até os 2 anos de idade, cerceando o marketing agressivo das indústrias de alimentos e bicos artificiais, bem como o trabalho dos Hospitais Públicos Amigos da Criança são um benefício muito importante para o reestabelecimento da cultura da amamentação em nossa sociedade. Mas não podemos esquecer das classes mais favorecidas, estas que tem acesso fácil à mão de obra para ajudar com o bebê, podem pagar os preços pelas fórmulas mais caras e bicos importados, no entanto, estão em busca de apoio e informação para dar o melhor aos seus filhos: leite materno.
Atenciosamente,
Bianca Balassiano Najm
Psicóloga e Consultora em Amamentação"

FONTE: http://www.possoamamentar.com.br/




sexta-feira, 24 de junho de 2011

PICOS DE CRESCIMENTO E PICOS DE DESENVOLVIMENTO

A 1ª vez que escutei falar sobre pico de crescimento , foi no livro Manejo Clínico da Lactação. Valdés, Sánchez e Labbok (Traduzido por Marcus Renato de Carvalho). Editora Revinter, 1996.
O nome dado não era pico de crescimento, era” crise transitória da lactação ” e esse período crítico , retrata a o fenômeno do estirão de crescimento. É um fenômeno frequente que pode se repetir 2 ou 3 vezes durante a amamentação e é bem pouco conhecido pelas mães. ( quando tive meu 1º filho, desconhecia totalmente sobre isso e a pediatra também!) Somente 4 anos depois de meu filho nascido, é que fui tomar conhecimento sobre essa crise!
O que o livro dizia é que esse era um período crítico da amamentação e os sinais dessa crise eram a mudança no comportamento do bebê na produção de leite materno . O bebê que já fazia intervalos regulares entre as mamadas de um dia para o outro, solicita mamadas frequentes, pode não descansar entre uma mamada e outra, pode também dormir nas mamadas. A mãe observa suas mamas mais moles, vazias e fica com a falsa impressão de que seu leite não está mais sustentando seu bebê (porque deseja mamar a toda hora). Isso ocorre por conta de um súbito crescimento do bebê que necessita do aumento na produção do leite materno.
Somado a esse quadro, vem muitas vezes, vários sentimentos/sensações na mãe: o cansaço, a descrença da sua capacidade de produção, o medo da perda de peso do bebê e muitas vezes, nesse turbilhao de mudanças e sentimentos, se mãe deixar de receber orientações adequadas, pode haver a introdução de leite artificial na mamadeira que muitas vezes, é a gota d’agua pra um desmame precoce, porque o bebê percebe as formas diferentes de sucção entre peito e mamadeira e pode acabar preferindo a forma mais rápida e fácil!
Essas crises são superadas quando a mãe é apoiada, encorajada a continuar amamentando- acreditando no seu potencial de nutrir seu bebê, além disso, se ela receber a orientação sobre os momentos que essa crise pode aparecer e o que fazer para resolver, para que haja menos interrupção da amamentação exclusiva, ela conseguirá passar por essas fases com mais segurança e confiança!.

Pesquisando imagens na Internet sobre o assunto,encontrei esses 2 gráficos muito bem explicados de 2 mães: Andréia Mortensen e Anna Arena. Agradeço á elas a permissão da utilização das imagens:









 

segunda-feira, 13 de junho de 2011


Breast is Best

fonte: http://mamaraopeito.blogspot.com/2009/04/breast-is-best.html


"É difícil amamentar. Embora seja um processo natural. Embora pareça fácil. Embora ames o teu filho mais que tudo no mundo.
O que temos de saber é: queremos ou não amamentar?
Se queremos a regra numero um é fazer ouvidos moucos aos comentários das mães, sogras, amigas... Segue o teu coração.
Segue o que sabes é melhor para ti e para o bebé.
Perguntas-me como fazer para ter mais leite.
 Nada. Não faças nada. Deixa que o bebé quando tem fome pede. E tu dás. Não esperes não sei quantas horas.
 A OMS saúde diz que o teu bebé deve mamar quando tem fome.
Tu comes quando tens fome. A tua mãe, sogra, marido e amigas todas, não ficam á espera da hora em que a enfermeira te mandou comer. Vais comer uma sandes, uma peça de fruta.
 Se tens sede? Não vais beber um copo de água?
Truques para ter leite bom: comer bem. Hidratos de carbono. Massa e pão e cereias. Comer alimentos variados e saudáveis. Apetece-te um doce, come. Apetece-te uma laranja? Come! Não é preciso beber água demais!
Truques para ter mais leite: estás muito cansada? Descansa.
 Truques para ter leite: não dar mais nada. O teu corpo produz leite. O leite não se acaba.
Quando o bebé mama, o teu peito enche novamente. Quanto mais mama mais leite tens.
 Consegues fazê-lo. Se quiseres, consegues. Porquê? Porque fazemos isto há milhares de anos. Porque o nosso leite é tão bom, que alguém se lembrou de fazer uma imitação rasca e chamá-la suplemento, que é caro, e que nós vamos comprar para dar um a fingir, quando temos o original, de graça, já aquecido e prontinho...
 Somos capazes.
Mães famintas, subnutridas em países cheios de dificuldades e fome a sério dão do seu leite aos seus filhos e eles crescem e o leite delas cresce dentro delas.
Elas são capazes. E tu tens de dizer que também és.
Tens de acreditar nisso.
Tens de ser mãe e deixar que os outros todos te façam pensar ou sentir que és menos mãe.
Tu és a mãe.
E dás leite.
 Leite bom.
 Leite que chegue.
Acreditas? Eu acredito."
E posso dizer, eu ,Claudia, também acredito. Assim como acreditei em mim,quando alguns duvidaram!!
Lindo texto! Espero que ele possa inspirar,estimular e fazer muitas mães acreditarem nas suas possibilidades!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Depoimento

AMAMENTAÇÃO E EMPODERAMENTO
Depoimento  da mãe  Clarissa Moraes de Sousa Bottari



O Pietro nasceu de uma cesárea não desejada. Mas isso é uma outra história. A questão é que isso para mim foi um dos fatores que interferiu negativamente no começo da amamentação. Antes de ele nascer eu cheguei a ir a uma reunião das Amigas do Peito, pois apesar de trabalhar na área de saúde nunca achei que comigo as coisas seriam mais fáceis, pelo contrário, pensava até que poderiam ser mais difíceis. E foram bem difíceis... O Pietro nasceu às 21h31 e só veio ficar comigo depois da meia noite. Quando ele chegou a primeira coisa que fiz foi colocá-lo para mamar. Eu ali, sem jeito, movimentos limitados porque ainda estava anestesiada, coloquei meu filho para mamar da melhor forma que consegui. E ao invés de ser apoiada ouvi da técnica de enfermagem que me assistia que ele estava com ‘a pega errada’. A ajuda dela limitou-se a enfiar mais o meu peito na boca do meu filho. Ela saiu do quarto e a impressão que meu marido teve e me disse depois é que ela estava com muita má vontade para ajudar. Após uma madrugada inteira tentando amamentar como conseguia meus mamilos estavam doloridos, vermelhos. Nessa tal maternidade, referência na rede privada aqui no Rio de Janeiro, existe um Grupo de Amamentação. A minha obstetra pediu para a enfermeira desse grupo conversar comigo. Estranhei as orientações, pois depois de muito me informar e até questioná-la sabia que algumas coisas não eram recomendadas, como fazer aquela mão em tesoura para dar o peito para o bebê. Mas na minha inexperiência, querendo tentar fazer a tal ‘pega correta’ e diminuir a dor que já era bastante incômoda, eu fiz o que ela falou. E não adiantou, ele continuava com a ‘pega’ errada, a amamentação era com dor, eu fui para casa numa sexta e passei o fim de semana com dor. Nesse período meus mamilos ficaram bastante machucados. Somente na segunda eu falei com a minha obstetra e busquei ajuda com uma pessoa que ela me indicou. Essa pessoa me orientou buscar um Banco de Leite, e no dia seguinte eu fui. Esse Banco de Leite era de um hospital municipal e eu passei a manhã lá, até aprender a dar o peito para meu filho. A mídia, a população, todos criticam o SUS, mas foi lá que eu encontrei a orientação e o cuidado que as pessoas da rede privada não tiveram competência para me dar. Daí em diante segui todas as orientações para cuidar dos mamilos feridos, mas cada mamada era uma dor, um sacrifício, uma angústia. As semanas se passavam e a dor permanecia, a cicatrização demorava. Eu chorava e me sentia a pior das mães. Me perguntava por que aquilo tudo comigo, quando eu teria prazer em amamentar. Culpava a cesárea, culpava a maternidade onde ele nasceu... O apoio do meu marido foi fundamental. Ele sempre me incentivou, apesar do sofrimento. Colocava música para eu relaxar nos momentos em que ia amamentar, ficava com o Pietro para eu poder descansar. . Apesar daquilo tudo não entrava na minha cabeça dar outro leite que não fosse o meu, e eu lutava contra toda aquela dor. Escrevi para as Amigas e fui na reunião de Botafogo. Foi o apoio que eu precisava, a Karina me ensinou uma posição para amamentar que causava menos dor. Quando o Pietro completou 1 mês, as feridas cicatrizaram. Ainda sentia um desconforto no mamilo direito, mas com o tempo isso passou. Só que aí veio a segunda prova de fogo: Pietro ganhou pouco peso. Na verdade, eu já estava achando que isso estava acontecendo porque percebi que ele cresceu, mas não percebia acumular gordura. O momento em que eu vi na balança que ele ganhou pouco foi muito, muito difícil. Na mesma hora pensei “meu Deus, agora vai ter que complementar!”. Ao menos o pediatra demonstrou flexibilidade, ele deu 15 dias para observarmos o ganho de peso dele e disse que achava que o que aconteceu foi um problema de ajuste no início da amamentação. Eu fiquei desolada, só pensava o quanto dar outro leite, coisa que para mim era inadmissível, iria atrapalhar a amamentação. Fiquei paranóica. Na primeira semana o pesei umas três vezes. E ao final de 7 dias ele só tinha ganho 30g. Procurei novamente a mesma pessoa que me indicou o Banco de Leite, fui na reunião das Amigas na Tijuca. Felizmente o problema era mesmo de adaptação: como muitos recém nascidos o Pietro dormia demais e mamava de menos. Tive que ter muita paciência com ele, ficava bastante tempo com ele no peito, acordava, trocava a fralda, tirava a roupa, tentava fazer ele ficar desperto. Comecei a complementar com meu próprio leite, a nutricionista que me ajudou em todo esse processo me ensinou a tirar o meu leite no final da mamada, porque o Pietro não chegava a deixar meu peito mais vazio depois que mamava. Aí eu oferecia esse leite com a técnica de relactação, quando não dava para ordenhar depois eu tirava o leite antes, foi uma dica para facilitar o ganho de peso que a Maria Lúcia e a Rose me deram. Fiz isso por uns 20 dias, voltei ao pediatra e o Pietro ganhou quase 1kg! Quando ele completou 2 meses começou a ficar esperto, dormir menos e mamar mais, e daí para frente continuou ganhando bastante peso. Tenho muito orgulho de dizer que nunca dei outro leite para ele que não fosse o meu. Até 6 meses ele era mais magro do que os outros bebês. As pessoas achavam que ele era mais novo, davam menos tempo de vida para ele. Acho que isso é muito difícil para uma mãe, essas comparações com outros bebês, mas eu aprendi que meu filho é único e isso foi bom para mim, porque até hoje eu procuro não comparar ele com outras crianças. Nesse primeiro ano de vida dele participei de muitas reuniões das Amigas do Peito e isso foi muito importante nessa fase da minha vida. O início da maternidade foi um momento de muita solidão, nos grupos eu podia compartilhar com mulheres que viviam a mesma fase e problemas tão parecidos com os meus. Conheci muitas mulheres bacanas, fiz amizades e aprendi o quanto um grupo pode nos fortalecer. Pietro está com 1 ano e 8 meses e adora mamar. Descobri que amamentar é realmente um prazer e tudo o que vivenciei fez com que eu me engajasse nessa luta pelo direito de amamentar. Há um ano que colaboro com as Amigas do Peito e faria tudo o que fiz de novo se tivesse que passar pelas mesmas dificuldades!